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- 22 de abr.
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Atualizado: 23 de abr.
Janis: autêntica e livre
Por Cibele Buoro
A força de um nome e uma foto encantadora surgem de repente à frente de quem visita a mostra que reconstrói a trajetória dessa lenda do rock. Janis: com curadoria de André Sturm, no MIS São Paulo, conta com mais de trezentos itens, com direito a figurinos, adereços, manuscritos, seus famosos óculos, a estola de penas e outras peças originais, guardadas pela família e que jamais haviam sido apresentadas.

Janis, ainda adolescente, inspirada pela literatura de Jack Kerouac e Hermann Hesse, deixou a casa dos pais, em Port Arthur (Texas), com destino a São Francisco (Califórnia) para encontrar e experimentar a vida. A que fazia sentido. Liberdade, o direito de fazer o que quisesse, como afirmou em entrevistas que concedeu no auge de sua carreira. Um sonho que durou pouco mais de quatro anos. Seu primeiro teste como vocalista foi para a banda Big Brother and The Holding Company, em 1966 ano. Sam Andrew, James Gurley, Peter Albin e Dave Getz caíram de joelhos com a voz rasgada e visceral de Janis.


Longe de casa, Janis escreve cartas e mais cartas para a mãe. Em uma das primeiras que chegam às mãos de sua família, a lendária e poderosa do rock se revela uma menina insegura e sente-se culpada pelo desapontamento que causou à mãe, com sua rebeldia. Mas promete manter “a cabeça no lugar” e retornar aos estudos caso seus planos fracassassem. A época de Janis foi o do movimento hippie, da contracultura, dos marcantes festivais, como Woodstock e Monterey, e da... Guerra. Mas ela só queria "paz" e "amor".


Tentou escapar várias vezes da mídia perturbadora. Uma vez para o Brasil. Aos dezessete anos, bem jovem, se encantou com o filme Orfeu Negro, do francês Marcel Camus, que havia adaptado da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes. Desde então, sempre quis conhecer o Carnaval do Rio de Janeiro. Veio para cá no icônico fevereiro de 1970, ano de sua morte.
Foi expulsa do Copacabana Palace após fazer topless na piscina do hotel. Ricky Ferreira, fotógrafo que conheceu Janis na praia, a convidou para ficar em seu apartamento, um "sala e quarto" no Leblon, na esquina das ruas Humberto de Campos e João Lira.
As "estrepolias libertadoras" de Janis durante sua estadia no Brasil incluem um beijaço em Serguei, um dos dinossauros do rock brasileiro que foi apresentado a ela no final da década de sessenta nos Estados Unidos. Na Cidade Maravilhosa, Janis também conheceu David Niehaus, um missionário americano, em um bloco de Carnaval. O encontro marcou o início de um intenso romance. Juntos, eles viajaram de moto para Arembepe, na Bahia, um reduto hippie que atraía artistas e intelectuais.


Tão óbvio quanto o amanhecer, liberdade para Janis se traduzia em sexo livre e intenso. Falas, atitudes e posicionamentos políticos lhe renderam críticas por parte dos conservadores. Aliás, como sempre ocorreu e ocorre até hoje.
Em entrevista, em outubro de 1970, quatro dias antes de morrer, foi questionada a respeito do sexo aberto que praticava. Janis respondeu: “Como elas podem se irritar com isso? Eu estou representando tudo o que elas dizem que querem (...) eu estou apenas fazendo o que quero”.
Janis foi uma mulher, não só do seu tempo, mas de todos os tempos, que ocupou o lugar onde realmente quis estar.



Isto é Janis Joplin
Cibele Buoro é jornalista com passagens por diversos veículos de comunicação de São
Paulo, coordenadora do Curso de Comunicação da Unip e bacharel em Direito.



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