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URRO
27 de abr.0 min de leitura


Editatorial
Seja a exceção A doença do mundo ainda ataca, oprime, sequestra, tortura, assassina e se gaba de sua estupidez. Os velhos generais, fardados ou não, continuam a se alimentar de sangue fresco e a comandar, do alto de seus reinados feitos de dólares e insensatez, massacres em nome de uma moralidade absolutamente imoral. Vivemos no tempo do domínio da regra, feitos reféns de seus caprichos mais obscenos. Somos devorados pelo consumo, massacrados pela lógica, assassinados pelo p

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27 de abr.2 min de leitura


Convescote
Colóquio de natureza aberta Por Cunhambebão Neto Era uma noite fria de inverno e o vento uivava entre as esquinas enquanto a lua prateava a escuridão com seu véu. A cidade não constava em mapa algum. Ficava encravada no oco do mundo, como se tivesse sido esquecida por Deus e arquivada por engano em algum canto da história. As ruas eram estreitas, de pedra antiga, e o vento parecia carregar vozes que não pertenciam àquele tempo, nem a tempo nenhum. No ponto mais alto desse lug

URRO
26 de abr.4 min de leitura


Veias Abertas
É preciso se deixar invadir pelas imagens de Godard Por Bruno Zambelli Um homem liga uma câmera. Ele encara sua lente como quem encara sua própria vida. Seus olhos estão levemente marejados, mas não vacilam: guardam a firmeza e a coragem daqueles que, como poucos, podem encarar a morte de frente e tourear o infinito. Na mão direta, um charuto. Ele o leva lentamente até a boca e, propositalmente, enfumaça todo o ambiente. A névoa sobe devagar, desenhando o tempo no ar. Silênci

URRO
25 de abr.2 min de leitura


Palimpsesto
O silêncio que grita ao coração do mundo Por Celio Turino A Cultura de Paz nasce no instante em que o outro deixa de ser ameaça e se revela encontro. Não é silêncio imposto, mas escuta profunda, quase ausculta, dessas que se ouve coração para transformar a palavra em ponte e o gesto em vínculo. Em um mundo atravessado por guerras, expansões imperialistas, ataques sobre povos e nações e violências cotidianas disseminadas, a paz se afirma como prática insurgente, como exercício

URRO
23 de abr.12 min de leitura


Contratempo
Janis: autêntica e livre Por Cibele Buoro A força de um nome e uma foto encantadora surgem de repente à frente de quem visita a mostra que reconstrói a trajetória dessa lenda do rock. Janis: com curadoria de André Sturm, no MIS São Paulo, conta com mais de trezentos itens, com direito a figurinos, adereços, manuscritos, seus famosos óculos, a estola de penas e outras peças originais, guardadas pela família e que jamais haviam sido apresentadas. Janis, ainda adolescente, ins

URRO
22 de abr.3 min de leitura


Calhau
Uma cama vazia só prá mim Por Roberto Cardinalli A morte, surda, caminha ao meu lado. E eu não sei em que esquina ela vai me beijar. Raul Seixas Você pode me responder, por favor. Por que está feliz por eu ir embora? Sei que não fala comigo há dias, mas sinto seu vibrante silêncio escondido em sua saliva. Você fez a mesma coisa com o Tércio no começo do ano. Sabia que me ele contou tudo, uma semana antes de partir definitivamente. Éramos amigos de infância, sabia disso. Claro

URRO
22 de abr.3 min de leitura


Prelo
linha de sal Por tina zani começo abro a roda de cócoras abro o vão as pernas espaço a boca cutuco a experiência poética o cerzimento com linha fina e pontos pequenos ligo coisas diversas artes diversas corpos diversos música literatura osso mídias dicionário pele pelos dentes não se nota a costura [íntima] não se nota bocas sempre em busca de água palavras outras bocas a casa da mari não tem tranca tem chão entrar na roda da casa sem tranca é começar sem come

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22 de abr.3 min de leitura


Monólogos Ácidos
O falso teatro para uma guerra Por Marcel Cheida O site norte-americano Politico publicou o resultado de uma mesa-redonda promovida com seis de seus repórteres especialistas na cobertura da Casa Branca. O resultado não foi dos melhores para o presidente Donald Trump. O título da publicação foi: A guerra com o Irã oferece um retrato do mundo de Trump. E não é um retrato bonito. Em uma mesa-redonda, seis repórteres da Politico detalham como a guerra no Irã revelou os bastidor

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22 de abr.6 min de leitura


Nariz de Cera
Um ‘porra’ em rede nacional Por Ronnie Romanini Em tempos de polêmica "de Chico" (não o Science, muito menos o Buarque e menos ainda o da Luiza Sonza), vale lembrar a famosa frase dita pelo técnico Renê Simões em 2010 sobre o então (ainda?) menino Neymar. "Estamos criando um monstro" Discussões atuais à parte - seja sobre as declarações infelizes do garoto de 34 anos ou sobre a polêmica se ele estará na Copa do Mundo - Renê Simões acertou na mosca. Neymar foi um monstro t

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16 de abr.3 min de leitura


Câmara Escura
Guerra, discurso e poder: o Oriente Médio entre cinema e realidade Por Hamilton Rosa Jr. O atual cenário de tensão envolvendo Donald Trump, Benjamin Netanyahu e o Irã não surge como um episódio isolado, mas como mais um capítulo de uma longa tradição em que guerra, narrativa e poder se entrelaçam de maneira indissociável. O que está em jogo não é apenas a possibilidade de um novo conflito, mas a forma como ele é pensado, justificado e, sobretudo, aceito. Nesse sentido, o cine

URRO
16 de abr.3 min de leitura


Palavrório
A batalha de Campinas Por Thiago de Souza A cidade, por muito pouco, não foi o palco inaugural de uma Guerra Civil. O Combate da Venda Grande foi uma importante ocorrência na história do Brasil. Vale lembrar: até 07 de setembro de 1822 éramos parte do Reino de Portugal. Proclamada a Independência, reina Dom Pedro I até 07 de abril de 1831, quando o monarca abdica do Trono. Vige o tempo regencial até 23 de julho de 1840, quando há o famigerado “Golpe da maioridade” quando Dom

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16 de abr.2 min de leitura


Luz Profana
Os espreitadores Por Carlota Cafiero O que move a história, a paz ou a guerra? O que te move, a tranquilidade ou o conflito? Com certeza, você não vive sem um combate e a guerra tem sido o elemento que move a história e as histórias. Para filósofo Friedrich Hegel, a guerra rompe estagnações. Se a arte é a sublimação da dor, não se cria sem uma crise. Troquemos a palavra “guerra” por “intriga” e teremos o romance, o teatro, o cinema e a telenovela. Fernando Pessoa escreveu que

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16 de abr.4 min de leitura


Phósphoro
João Zinclar: O operário da fotografia Por Sônia Fardin O Acervo João Zinclar é um patrimônio da classe trabalhadora brasileira, pois se constitui de vasta documentação fotográfica sobre a luta de classes na história política brasileira entre 1994 e 2013, produzida por um militante de formação marxista que sobre sua atuação como fotógrafo afirmava: “sou um comunista que se orienta pelos valores e pela teoria marxista de como interpretar e procurar transformar esse mundo (..

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15 de abr.7 min de leitura


Traços Talantes
O nome que não sustenta a pedra Por Cunhambebão Neto No meu incansável esforço em escarafunchar as ruínas da memória campineira, deparei-me com um vulto tão insólito quanto fascinante: um fantasma! Há, logo na entrada do Cemitério da Saudade, um monumento que insiste em organizar a morte. Colunas, nomes, datas. Uma arquitetura da memória que tenta conter o excesso como se fosse possível alinhar a guerra em mármore. Ali estão inscritos os mortos da Revolução Constitucionalista

URRO
15 de abr.3 min de leitura


Tensão sobre o Tom
A alucinação da alucinação da alucinação de Belchior: 50 anos depois Por Maurício Simionato O álbum "Alucinação" (1976), de Belchior, completa 50 anos em 2026, reconhecido como obra-prima da música popular brasileira, o que reforça o aspecto profético e contestador de suas composições em uma época em que termo "alucinação" tornou-se comum para descrever quando modelos de IA generativa (como ChatGPT) criam informações falsas, mas com aparência convincente. Até a alucinação de

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15 de abr.6 min de leitura


Phoesydra
Minguante Por Adriano Scandolara Pó Por favor, sopra logo a trombeta, imploram os mortos empilhados na despensa, entre o café e o saco de arroz eu fecho a porta e digo ainda não é hora, mas teimam e ocupam, sem ter aonde ir, todos os lugares do sofá, seus peitos chiam, as mãos procuram restos nos pratos levados à pia – quando chegar, eu aviso – mas não têm ouvidos e choram sobre o pó que tiro dos cantos, uma tempestade sopra do paraíso , a

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15 de abr.6 min de leitura


Caligrafia
Cine cantado: A Música Segundo Tom Jobim Por Pedro Marques A filmografia de Nelson Pereira dos Santos (1928-2018) toca a música para além da trilha sonora. Ele se interessou tanto pela biografia de músicos populares – Estrada da Vida: Milionário de José Rico (1981) e Meu Compadre Zé Kéti (2003) – quanto pelo ruído significativo, o carro de boi a gemer em Vidas Secas (1963). Em A Música Segundo Tom Jobim (2012), o cinema retorna à fase em que falas eram, no máximo, sugerida

URRO
15 de abr.8 min de leitura


Viva os Vivos
Na contramão da guerra; amor, cultura e paz URRO! chega aos seis anos de existência e esta edição #23 propõe reflexões em torno da esperança por tempos melhores no qual a paz possa finalmente reinar sobre todas as nações e povos da Terra, embora haja tanta desesperança ao presenciarmos conflitos e guerras se espalharem por todos os cantos do planeta. Algumas guerras, como a do Sudão, não ganham destaque na mídia, mas estão lá, devastando e ceifando a vida de dezenas de crianç

URRO
14 de abr.1 min de leitura



URRO
11 de dez. de 20250 min de leitura
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