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Traços Talantes
O pastor da idiotia higiênica Por Cunhambebão Neto No meu incansável esforço em escarafunchar as ruínas da memória campineira, deparei-me com um vulto tão insólito quanto terrivelmente instrutivo. Se a cidade prefere guardar no mármore os seus poetas, arquitetos e heróis, esquece-se com frequência dos charlatões que, revestidos de jaleco, unção patriótica e verniz acadêmico, conduziram a elite local diretamente para o abismo da estupidez voluntária. Refiro-me ao doutor Belisá

URRO
há 5 horas4 min de leitura


Monólogos Ácidos
Da semântica à morte física Por Marcel Cheida O segundo turno da eleição para a Presidência da República saiu do olho do furacão para atravessar os tornados e as tempestades de uma campanha curta. O palco das redes sociais — essa babel digital sustentada pelos pilares da internet — envenenou corações e mentes com volumosas poções de batracotoxinas, tão mortais que nem as almas conseguem suportá-las. Desde 2013, ano dos protestos e das mobilizações contra os valores das tarifa

URRO
há 7 horas5 min de leitura


Veias Abertas
Declaração Universal dos Direitos Humanos Adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro 1948. Eleanor Roosevel exibe a edição em espanhol do Jornal das Nações Unidas contendo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1949) Preâmbulo Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mun

URRO
há 8 horas7 min de leitura


Convescote
*Jards Macalé em 80 rotações Por Caio Andrade Jards Macalé é uma figura. Completou 80 anos no início deste mês de março e continua bem-humorado e atencioso. Jogou muita bola (ou não) na infância. Construiu uma carreira bonita e de amizade não só com os da sua geração, como os nomes que foram surgindo com o passar dos anos. Afrontou os militares. O cara é simplesmente atemporal. Por telefone, batemos um divertido papo com Jards, entre perguntas que vão desde sua infância e o

URRO
há 1 dia8 min de leitura


Nariz de Cera
A entrevista proibida Por Israel Moreira Em junho de 2022, depois de uma rápida passagem pela Rádio Futebol Interior, recebi o convite para ingressar na “seleção do rádio campineiro”, como é carinhosamente conhecida a equipe de esportes da Rádio Central, AM 870. Nunca havia trabalhado como setorista, mas, desde que entrei na área do Jornalismo, sempre sonhei em trabalhar com futebol. Ainda mais em uma emissora da qual fui ouvinte durante toda a minha vida, como repórter respo

URRO
há 1 dia4 min de leitura


Palimpsesto
O humor como resistência Por Synnöve Hilkner Sou admiradora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba há muito tempo. Acompanho os artistas que fundaram e se destacaram no evento com grande admiração pelo que o humor gráfico consegue transmitir. Em tempos de ditadura militar, o Salão era resistência. Até hoje continua sendo, mas os desafios mudaram. A evolução precisa ser constante e novos tempos exigem representatividade, visto que o universo do humor gráfico sempre fo

URRO
há 2 dias2 min de leitura


Contratempo
Inteligência Artificial, expropriação ambiental e direitos humanos Por Cibele Buoro A tecnologia, com a presença cada vez intensa da IA, impõe impactos aos recursos naturais e aos direitos humanos. Vivenciamos uma nova etapa do capitalismo, que depende da captura de dados dos indivíduos para obter lucros a partir de interferências nos comportamentos e decisões humanas. Dessa forma, a ascensão financeira das big techs e a imposição de uma padronização de mundo por parte da Int

URRO
7 de out.10 min de leitura


Palavrório
Lágrimas de goiabeira Por Silo Sotil e Thiago de Souza Na Capela da Santa Cruz do Fundão, o túmulo à sombra de uma árvore, revela lugar de descanso de um homem negro escravizado que, cansado dos abusos e do açoite, pediu apadrinhamento a um vizinho de seu proprietário. Eram passadas as primeiras décadas do século XIX. O vizinho, interpretado como “boa gente” fingiu escutar seu suplício. O “bom homem” prometeu-lhe acolhimento, confiando-lhe um bilhete para que fosse entregue

URRO
7 de out.2 min de leitura


Prelo
Todos os gestos do fogo Por Vanessa Malagó A cidade vira o mundo. O ir e vir amortece. Ou não. Atravessando a rua, atento aos próprios passos, ou talvez nem isso, é possível que Guto não veja os ipês brancos de pronto. Entre os galhos retorcidos, irrompem flores misteriosas. Na véspera não se via vestígio. Ao segundo dia, seguindo o fluxo dos que cruzam a esquina preocupados com suas próprias vidas, ao passar por debaixo de um deles, e se o passo não for muito largo, nem muit

URRO
6 de out.2 min de leitura


Câmara Escura
Memória Veneno Por Marta Fontenele Um mergulho no trabalho invisível das memórias que armazenamos ao longo da vida e que podem se tornar perturbadoras na meia idade e velhice. A experimentação como linguagem criativa ajuda a dar vida à personagem Sued (Stella Vilela), mulher misteriosa que se defronta com uma rotina de pesadelos que lhe tiram a paz. Durante o dia ela tenta “fazer as pazes” com as memórias, revendo fotografias do passado, ou tentando distrair-se no ambiente do

URRO
5 de out.2 min de leitura


Luz Profana
Como educar as máquinas? Por Carlota Cafiero O que impede nossos filhos de nos destruírem? O amor, o afeto, as boas lembranças, o instinto, a dependência, o caráter? Pode ser um pouco de tudo isso, mas, principalmente, dos valores humanos que transmitimos a essas criaturas. Tão importante quanto a carga genética é a carga ética que passamos às novas gerações. Disso depende nosso futuro como espécie: garantir que o desenvolvimento econômico e tecnológico venha acompanhado de f

URRO
5 de out.3 min de leitura


Phósphoro
Nada disso foi feito para durar Por Ricardo Lima Fotos Samara Macedo Há imagens que registram aquilo que acontece, outras parecem começar justamente quando o acontecimento termina. Em Nada Disso Foi Feito para Durar, Samara Macêdo dirige o olhar para esse tempo posterior, quando os corpos já partiram, as estruturas perderam sua função e a paisagem conserva apenas sinais frágeis do que esteve ali. Realizadas em 2026, durante percursos sem destino previamente estabelecido, as f

URRO
5 de out.2 min de leitura


Poeshydra
Coração Bomba Por Carol Sanches nomeação me chamo Carolina ou melhor me chamaram Carolina ainda que eu seja anterior ao meu nome alguém a quem um dia chamaram Teresa sonhou com quem atende pelo nome Buda e um bebê, ainda sem nome, em seu colo Buda desviou os olhos do bebê sem nome encarou Teresa, já velha de nome: esta criança que vem hoje ao mundo vai se chamar Carolina não importava que mais crianças viessem ao mundo naquele dia humanos atendem aos nomes humanos nomeiam às

URRO
5 de out.3 min de leitura


Tensão sobre o Tom
Quando o indizível se fez ‘Dito’, vulgo ‘Nego Dito’ Por Mauricio Simionato Fotos Stela Handa Arrigo Barnabé, com seu casaco sobretudo com um tubarão costurado nas costas, com aquele piano que não pede licença, conduz a Isca de Polícia - essa banda que nasceu para ser coice, para ser faca, para ser o funk torto de São Paulo. O espetáculo nasceu simples, do desejo de Arrigo de mergulhar no repertório do compadre, com quem divide a estrada desde Londrina, em 1972. Virou "Trist

URRO
5 de out.3 min de leitura


Calhau
Entrevista coletiva Por Roberto Cardinalli A imprensa separa o joio do trigo. E publica o joio. Adlai Stevenson O tempo deixa marcas e a memória falha. Com frequência jogamos o passado para debaixo do tapete. E fatos ficam apenas na conta da história. Não são raras as vezes que os acontecimentos são recontados até mudarem completamente as versões. Águas das chuvas lavam o passado e levam o pó da sordidez para o fundo do poço. Como repórter fui testemunha de um dos período

URRO
4 de out.4 min de leitura



URRO
27 de abr.0 min de leitura


Editatorial
Seja a exceção A doença do mundo ainda ataca, oprime, sequestra, tortura, assassina e se gaba de sua estupidez. Os velhos generais, fardados ou não, continuam a se alimentar de sangue fresco e a comandar, do alto de seus reinados feitos de dólares e insensatez, massacres em nome de uma moralidade absolutamente imoral. Vivemos no tempo do domínio da regra, feitos reféns de seus caprichos mais obscenos. Somos devorados pelo consumo, massacrados pela lógica, assassinados pelo p

URRO
27 de abr.2 min de leitura


Convescote
Colóquio de natureza aberta Por Cunhambebão Neto Era uma noite fria de inverno e o vento uivava entre as esquinas enquanto a lua prateava a escuridão com seu véu. A cidade não constava em mapa algum. Ficava encravada no oco do mundo, como se tivesse sido esquecida por Deus e arquivada por engano em algum canto da história. As ruas eram estreitas, de pedra antiga, e o vento parecia carregar vozes que não pertenciam àquele tempo, nem a tempo nenhum. No ponto mais alto desse lug

URRO
26 de abr.4 min de leitura


Veias Abertas
É preciso se deixar invadir pelas imagens de Godard Por Bruno Zambelli Um homem liga uma câmera. Ele encara sua lente como quem encara sua própria vida. Seus olhos estão levemente marejados, mas não vacilam: guardam a firmeza e a coragem daqueles que, como poucos, podem encarar a morte de frente e tourear o infinito. Na mão direta, um charuto. Ele o leva lentamente até a boca e, propositalmente, enfumaça todo o ambiente. A névoa sobe devagar, desenhando o tempo no ar. Silênci

URRO
25 de abr.2 min de leitura


Palimpsesto
O silêncio que grita ao coração do mundo Por Celio Turino A Cultura de Paz nasce no instante em que o outro deixa de ser ameaça e se revela encontro. Não é silêncio imposto, mas escuta profunda, quase ausculta, dessas que se ouve coração para transformar a palavra em ponte e o gesto em vínculo. Em um mundo atravessado por guerras, expansões imperialistas, ataques sobre povos e nações e violências cotidianas disseminadas, a paz se afirma como prática insurgente, como exercício

URRO
23 de abr.12 min de leitura
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