Câmara Escura
- URRO

- 14 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Museu da Imagem e do Som: a nossa vitrine
Por Hamilton Rosa Jr.
Estamos vivendo uma efervescência cinematográfica que não diz respeito apenas a projeção de um Ainda Estou Aqui ou O Agente Secreto ou ainda a O Último Azul, três filmes brasileiros que estão maravilhando todo mundo lá fora e ganhando prêmios. Temos uma ebulição criativa acontecendo aqui, bem debaixo do nosso nariz, com os cineastas de nossa cidade.
E quem está vendo esses filmes?
Nossa comunidade sabe da existência dos filmes de Fernanda Viana, Coraci Ruiz, Helen Quintans, Cláudia Bortolatto, Luisa Naves? Nossa comunidade conhece ou já viu um filme de Débora Castro, Marcela Varani, Anne Pinheiro? Ou ainda de Julio Matos, Diego Ruiz de Aquino, Hidalgo Romero, Danilo Dias, João Folharini, Flávio Carnielli, Rodrigo Diaz Diaz, Gustavo Padovani, Cauê Nunes, Lucas Vega, Daniel de Almeida, Beto Limberger, Ramiro Rodrigues, Diego da Costa, Tom Crivelaro, ou meus os filmes que eu fiz?
Toda essa galera e muitos outros são realizadores do audiovisual desta região estão fazendo um cinema extraordinário por aqui. Uma das qualidades deste grupo maravilhoso é observar e compreender o outro. É na devoção aos outros — indivíduos, grupos ou causas — que encontramos a chama que mantém a nossa alma viva. Acredito que o envolvimento em trabalhos sociais, políticos, intelectuais ou criativos é o que impede nossa sociedade de definhar em sua própria sombra. Precisamos cultivar paixões fortes o suficiente para que não nos rendamos ao vazio ou à desistência de nós mesmos.

Museu da Imagem e do Som: onde conseguimos ver a nossa produção cinematográfica
Simone de Beauvoir diz que a vida de alguém só tem valor quando essa pessoa atribui valor à vida dos outros — seja através do amor, da amizade, da indignação ou da compaixão. Concordo com ela. É nesse vínculo com o mundo ao nosso redor que encontramos o verdadeiro significado da nossa existência. Esses cineastas que citei aqui fazem um cinema assim. Mas onde conseguimos ver esses filmes deles?
O MIS Campinas, que acaba de completar 50 anos, é uma das poucas vitrines onde a gente pode ser visto. Então me orgulho demais que ver que a pessoa que foi recebê-lo, representando os servidores do MIS, é um dos nossos maiores incentivadores.
Obrigado, Orestes Toledo.
Faço votos também para que o MIS continue de portas abertas para nós e que finalmente o poder público perceba a necessidade que temos de mostrar os anseios e as inquietações que a nossa comunidade vive e pelos quais se identifica, trazendo outras salas ou canais para exibirmos os filmes da nossa comunidade.
Hamilton Rosa Jr. é cineasta, professor e jornalista.



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