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Editatorial

  • Foto do escritor: URRO
    URRO
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 13 horas

Seja a exceção 



A doença do mundo ainda ataca, oprime, sequestra, tortura, assassina e se gaba de sua estupidez. Os velhos generais, fardados ou não, continuam a se alimentar de sangue fresco e a comandar, do alto de seus reinados feitos de dólares e insensatez, massacres em nome de uma moralidade absolutamente imoral.


Vivemos no tempo do domínio da regra, feitos reféns de seus caprichos mais obscenos. Somos devorados pelo consumo, massacrados pela lógica, assassinados pelo poder a qualquer custo. Somos soterrados pelo óleo denso da crueldade capitalista, amontoados e esquecidos à margem da vida e declarados culpados todos os dias pelo crime de existir.


Somos a exceção no mundo da regra e, e mesmo assim, acreditamos que a vida ainda pulsa no coração de um poeta que se perde pela noite com os olhos cheios d’água e o peito coberto de flores. Se a regra é organizar a morte de viver que ainda floresce, a exceção é manter-se vivo mesmo a contra gosto dos poderosos.


A exceção é cantada, composta, pintada, versada, encenada; vivida. A exceção é teimosa, corajosa, afrontosa e necessária. A arte de viver é contada debaixo de balas, de bombardeios, de estatísticas. É pedra preciosa soterrada pela ganância, melodia sentimental abafada por choro desesperado de criança. A vida é barra pesada, meu camarada: dói, maltrata, arrebenta e mata no fim.

No entanto, há no horizonte um tanto de dourado e outro tanto de doçura que nos impede de desistir. Eles têm armas, nós temos versos. Eles têm poder, nós temos disposição. Eles atravessam noites insones conspirando, nós adormecemos nos braços da esperança e despertamos no colo da coragem cotidiana que nos permite resistir. Enquanto o poder insiste em nos dizer não e a acreditar na guerra santa das estrelas decadentes, nós, do alto do nosso anacronismo insistente ainda dizemos: seja a exceção, faça amor, não faça guerra!

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